Os 4 componentes da boa comunicação

Você já parou para pensar como algumas pessoas tem facilidade de entrar em discussões, ser mal interpretada, criar situações de conflito que levam a uma escalada crescente até o ponto de quebra das relações ou violência?

Você já participou de uma conversa ou discussão assim?

Sabia que existe uma ciência que explica o passo a passo disso? Não estou falando sobre o estado psicológico dessas pessoas, mas sim sobre as atitudes antes, durante e após esse tipo de roteiro.

O autor Marshal B. Rosemberg em seu livro “Comunicação Não Violenta” explica que para nos comunicarmos adequadamente e com compaixão, devemos observar cuidadosamente e sermos capazes de identificar os comportamentos e as condições que estão nos afetando durante o diálogo.

Nós não paramos para pensar que em quase todas as situações emitimos um julgamento baseado em experiências pessoais. Esse julgamento influencia desde o começo a sua atitude em ouvir a outra pessoa, criando barreiras para entender um outro ponto de vista, e até mesmo exercendo uma opinião de modo agressivo ou defensivo, resistente a mudanças.

Observe que a grande maioria das discussões que você julga sem sentido começam, se estendem e terminam sem que nenhuma das partes aceite uma opinião contrária.

Mas afinal, quais são os passos da comunicação para melhorarmos nossa capacidade de entender, processar e articular uma conversa produtiva para ambas as partes?


O primeiro deles é a observação.

É extremamente difícil participarmos de uma conversa em que a outra pessoa está em um estado emocional alterado, como por exemplo agressivo, melancólico, excitado ou na defensiva.

Temos que ser capazes de observar a situação em que nos encontramos sem fazer nenhum julgamento ou avaliação das outras pessoas. Muitas vezes não temos as informações necessárias para que possamos avaliar o que levou aquela pessoa a se encontrar em um estado emocional alterado.

No momento que percebemos que a outra pessoa está alterada, nós a avaliamos pelo o que ela está demonstrando e transparecendo, de modo a pré-concebermos nossas opiniões daquele momento em diante.

O Segundo passo é o sentimento.

Independente da informação recebida, ela desperta algum tipo de sentimento em você, baseado na sua experiência de vida, nas situações que já você passou relacionadas ao assunto em questão e no estado emocional decorrente dessa situação.

O nosso cérebro grava essas informações criando novas conexões neuronais que são bem mais fortes se estiverem vinculadas a algum tipo de emoção, e no momento que você disparar o gatilho de um assunto pertinente, essas emoções serão relembradas.

Por exemplo, você passou por uma situação em você foi demitido de uma empresa e o argumento foi que não houve entrega pessoal ou falta de conhecimento da sua parte. Essa informação será guardada no seu cérebro associada à emoção que você sentiu naquele momento e esse estado emocional será “relembrado” toda vez que o mesmo assunto vir à tona.

Portanto, nós temos a tendência de associar emoções a situações, e essas emoções irão influenciar na sua interpretação, análise e julgamento do assunto em questão.


O terceiro passo é expressar suas necessidades.

Provavelmente esse é o passo mais difícil de aprender e praticar.

Em toda conversa, após ouvirmos e interpretarmos, nós temos de expressar uma necessidade que pode variar da mais simples à mais complexa.

A necessidade é algo íntimo e pessoal. É aquilo que realmente você deseja para si, e que confundimos com solicitar ações ou desejos que os outros deveriam fazer.

Vou dar um exemplo: um colega de trabalho que participa de um projeto junto com você, chega e começa a expor que fez isso, aquilo, dedicou horas do seu tempo ao projeto, está comprometido com essa demanda todos os dias da semana e pede para você realizar algumas tarefas. Você obviamente irá ouvi-lo e poderá ou não atender ao seu pedido, já que também participa do projeto, gasta de seu tempo, dedica-se dentro e fora do trabalho a atingir suas metas independente dos outros.

O que acontece é que você irá comparar todo o “trabalho” que ouviu do discurso do seu colega com seu próprio “trabalho”. Caso decida que o seu tem um peso maior que o dele, você não se sentirá compelido a ajudá-lo. Na verdade, o seu colega poderia ter exposto sua real necessidade ao invés de apenas passar tarefas para você realizar. Ele poderia ter falado: “Estou atolado de trabalho e sem tempo para realizar tais tarefas, preciso de ajuda para que parte do projeto evolua e você é a pessoa mais qualificada para isso. Poderia me ajudar? ”


O quarto passo é o pedido.

O pedido está relacionado as suas necessidades. No entanto, a maioria das pessoas possuem uma grande dificuldade de fazer um pedido de maneira clara, objetiva e assertiva. Ficam enrolando, floreando, dando voltas até que sua fala fica tão cheia de informações que a pessoa não entende ou entende parcialmente o que você realmente quer.

Como você pode perceber, praticar esses quatro passos da comunicação pode parecer simples, mas no nosso dia a dia deixamos de lado vários aspectos e influenciamos nossas opiniões antes mesmo da conversa chegar ao ponto de interpretar a mensagem passada.

Com prática diária e paciência todos nós podemos evoluir para melhorarmos nossa interação e comunicação com as outras pessoas.

LEANDRO GREGORUT

2018-09-06T00:44:01+00:00