Equilibre-se! Resgate sua criança interior

Você já parou para se perguntar como tem vivido seus dias? Eles ocorrem de forma natural, espontânea, leve e criativa ou você vive apenas mais do mesmo?

Pode ser que em algum momento você se flagre sentindo culpa, ansiedade, tristeza e até mesmo alguma sensação de carência. Quando isso acontece, todas as atitudes subsequentes alimentam esses sentimentos negativos. Porém, isso pode gerar ainda mais ansiedade, angústia, medo e inicia-se uma busca interminável por algo que você não sabe bem ao certo o que é.

Pode ser que muitas vezes você pare e pense: “Como faço para retomar aquela alegria? Como posso voltar a sentir mais amor, liberdade e paz? Quando poderei ser eu mesmo?

Eu te respondo: Conhecendo-se melhor e cuidando de uma pequena (grande) parte que habita em você: a sua criança interior.

Nós temos uma parte que é adulta e amadurecida e outra que é criança. É ela que nos dá leveza, criatividade, alegria e nos traz até a sensação de paz. Acontece que ao longo da vida aprendemos a reprimir as reações e deixamos de lado até os momentos em que nos permitimos errar sem medo. Evitamos falar com espontaneidade, reprimimos nossos sentimentos mais básicos e com isso, “adormecemos” essa nossa parte, mas o que não sabemos é que um dia essa criança vai gritar.

Como você deve saber, a criança é feita de amor, alegria, espontaneidade e tem uma energia infinita. Ela precisa de afeto, proteção, alimento, brincadeiras, mas também precisa de limites.

Caso durante a sua formação a criança seja extremamente repreendida, o adulto que se forma a partir daí terá sua capacidade de amor transformada em medo e isso é uma grande causa de infelicidade.

A criança dentro de nós muitas vezes pode estar ferida por alguns traumas de infância. Esses traumas não precisam estar relacionados a nada trágico especificamente. Pode ser alguma frase dita durante a tenra idade, como: “você é desastrado”, “você não faz nada certo” ou “você é insuportável”, entre tantas outras. Por isso, é fundamental que no processo educacional sejam utilizadas palavras positivas e construtivas, ao invés de levar a aprendizagem para o lado negativo ou do desconhecimento das dificuldades infantis.

Outro aspecto a ser analisado é a codependência familiar: pais inseguros geram crianças inseguras; pais medrosos geram crianças medrosas; pais agressivos geram crianças agressivas; pais compulsivos geram crianças compulsivas.

As crianças precisam de emoções saudáveis para modular seus sentimentos e reações. Uma família bem estruturada auxiliará essa criança a se expressar de forma correta e assertiva.

Ou seja, uma criança despreparada para lidar com suas emoções pode se tornar desconectada com seu ambiente interno, e crescerá acreditando que para ser feliz é necessário o referencial externo: brinquedos, roupas, vídeo game, comida etc. E quando adolescente ou adulto, tenderá a achar que a felicidade ou o sentido da vida está em obter dinheiro, carro, emprego, reconhecimento ou ter alguém. E assim ela não se bastará por si só.

Você possui algum tipo de codependência?

Um grande sinal de desconexão emocional é quando percebemos que o que nos basta não está dentro de nós.

Enquanto a dor original não foi resolvida, um turbilhão emocional ficará instalado constantemente. Sabe quando parece que a ansiedade, aflição ou angústia nunca passam? Sim, isso pode ter relação com a sua criança interna ferida.

Tomar consciência disso é o primeiro e mais importante passo para a resolução das questões emocionais. Então verifique se você se identifica com algum dos comportamentos abaixo; em caso positivo, reflita em que idade sua criança interior se feriu, fazendo com que seu comportamento de amor se desviasse para o medo:

  • Comportamento agressivo (verbal, físico ou emocional);
  • Desconfiança exagerada, gerando necessidade de estar sempre no controle;
  • Sentimento de culpa ou vergonha, com tendência ao isolamento;
  • Sensação de inadequação nos ambientes;
  • Choro histérico, acompanhado de gritos e excesso de nervosismo;
  • Carência exagerada, necessitando sempre dos pais por perto;
  • Necessidade extrema de atenção, afeto e nunca sentir que o amor recebido é suficiente;
  • Autopunição ou distúrbios físicos;
  • Atribuir ao outro a responsabilidade por seus próprios comportamentos e com isso nunca adequar suas atitudes;
  • Dificuldade em vincular-se a amizades ou relacionamentos afetivos;
  • Comportamentos compulsivos e até abuso de substâncias (drogas, alimentos, álcool, sexo, trabalho);
  • Sentimentos negativos recorrentes, como depressão, ansiedade, angústia, sensação de vazio;
  • Agir por impulso ou necessidade de sempre agradar os outros.

O processo de reencontro com a criança interior pode ser lento ou até doloroso, mas o autoconhecimento é transformador e pode gerar um aprendizado importante, capaz de curar muitas feridas emocionais.

Além disso, cuidar dessas questões emocionais mal resolvidas pode ajudar a cuidar das emoções dos nossos próprios filhos, evitando assim que os sentimentos de amor se transformem em comportamentos de medo quando estes forem adolescentes e adultos.

Todos nós estamos sujeitos a imprevistos e situações que podem nos gerar tristeza, medo, ansiedade ou uma variedade de sensações negativas, mas o grande aprendizado é saber lidar com essas situações e aprender a reagir de uma forma mais adequada e equilibrada.

Cuide-se para que você possa gerar ao seu filho a possibilidade de ser uma criança mais livre, e você um adulto realmente feliz.

Autoconhecimento liberta!

LUCIANA RAPANELLI

2018-09-06T00:46:10+00:00